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História da Semente

  • 12 de ago.
  • 3 min de leitura

Eu sou Clície Lourenço, a primeira de três irmãos. Filha de pais pardos, vindos do interior, de famílias pobres e de vida dura. Vieram para a cidade em busca de estudos, conheceram-se, casaram-se, concluíram a formação, trabalharam muito para sustentar os filhos. Avó materna presente para ajudar no cuidado com a casa e as crianças. Pais divorciados, construíram uma forma própria de permanecer unidos e de se apoiarem como família.


Fui uma criança retraída, adolescente questionadora, amiga acolhedora. Família católica  que transmitiu uma educação religiosa. Através da religião encontro amigos e experiências comunitárias determinantes. O desenvolvimento da espiritualidade e reconhecimento do Divino são companhias constantes,


Sou psicóloga desde 2004, atuando na psicologia clínica e social. Minha formação clínica tem base existencial-humanista-sistêmica, com estudos em Gestalt-terapia, Logoterapia e Psicodrama, aliados a práticas integrativas como Reiki, Aromaterapia, ThetaHealing e Constelação Sistêmica.


Na psicologia social, sou especialista em Juventude no Mundo Contemporâneo e mestre em Educação, Gestão Social e Desenvolvimento Local. Os estudos de gênero e a crítica feminista atravessam toda a minha formação e prática clínica, com maior expressão nos dez primeiros anos da carreira, quando atuei em projetos socioeducativos voltados à educação em sexualidade e gênero com jovens.


Sou casada desde 2008, em uma relação de constante crescimento mútuo. Em 2013, tornei-me mãe. Nossa filha, Manuela, nasceu com uma deleção genética e consequências sindrômicas fisiológicas, comportamentais e cognitivas moderadas. Ao longo dos anos, seguimos nos adaptando, compreendendo suas necessidades e aprendendo a acolhê-la, oferecendo o cuidado de que precisa.


Concluí o mestrado quando Manuela já tinha um ano e meio. Durante a gestação, conheci o movimento de mulheres pela humanização do parto e comecei a me envolver timidamente. Depois do nascimento dela, como mãe atípica, a clínica ganhou mais espaço e dedicação por oferecer condições de trabalho com maior flexibilidade. O sonho de ser professora universitária foi, então, engavetado.


A maternidade, especialmente a maternidade atípica, deslocou profundamente meu modo de compreender o desenvolvimento humano, sobretudo o meu. Descobri que nem toda travessia pode ser acelerada, que o cuidado exige presença antes de respostas e que crescer nem sempre significa seguir o ritmo esperado. 

Essas aprendizagens me atravessam.


Em 2015 nasceu Mariana, nossa segunda filha. No mesmo período, nascia também o Nascer Sorrindo, movimento de mulheres de Contagem que surgiu a partir de um pequeno grupo de gestantes em busca de uma gestação e de um parto saudáveis, conscientes e respeitosos. Faço parte desse movimento desde sua criação, acompanhando seu crescimento como espaço de acolhimento, informação e troca de experiências.


Unindo experiência pessoal e profissional, minha atuação voltou-se cada vez mais para o cuidado de mulheres em diferentes fases e desafios da vida. Uma prática profissional autoral, dedicada à promoção de encontros de mulheres em busca de si e de seu próprio modo de ser, foi sendo cultivada lentamente pela convergência entre minha formação, minha experiência clínica, a maternidade, o trabalho com grupos de mulheres e as perguntas que passaram a atravessar minha própria vida. Foi em 2017 que germinou o Jardim de Mulheres.


Por meio de psicoterapia, grupos e retiros terapêuticos, acompanhei mulheres em temas como autocuidado, fortalecimento pessoal, relacionamentos, gestação, parto, pós-parto e maternidades. Ao longo dessa trajetória, testemunhei processos profundos de transformação, fortalecimento e cura.


Em 2020, com a pandemia, adaptei minha prática ao formato online. Permaneci atendendo dessa forma durante seis anos, conciliando a atuação profissional com as demandas de educação e cuidado familiar. Revisão, adaptação e transformação tornaram-se movimentos permanentes da minha vida. Nesse percurso, a dança, a yoga, a meditação, a arte e o contato com a natureza seguem sendo importantes

recursos de equilíbrio e presença.


Hoje, ao olhar para minha história, reconheço um caminho de encontros, perguntas, revisões e recomeços. Sinto que este momento da vida me convida a retomar atividades presenciais e coletivas, fortalecer parcerias, ampliar redes de apoio entre mulheres e continuar cultivando novos caminhos de desenvolvimento e crescimento mútuo. 


Aprendendo a me acolher como mulher, sigo oferecendo acolhimento a outras mulheres por meio da psicologia, das práticas integrativas e dos encontros que compõem um Jardim de Mulhres. Minha prática não nasceu apenas daquilo que estudei, mas também daquilo que vivi, questionei e continuo aprendendo a cultivar. 


 
 
 

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